A ESCOLA

A Escola de Música da Rocinha foi fundada em 1994 e desde então vem ampliando gradativamente suas atividades e número de alunos atendidos. Está sediada no Centro Municipal de Cidadania Rinaldo De Lamare, centro de inclusão social e capacitação profissional mantido e administrado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Ocupa 4 salas com toda a infra-estrutura necessária, sendo a única escola de música da comunidade da Rocinha.

A Escola de Música da Rocinha é a única escola de música desta comunidade.
Fundada em 1994, a EMR contabiliza mais de mil alunos inscritos

O objetivo geral de suas atividades é contribuir para o aumento do grau de escolaridade da população local, através da melhoria no rendimento de aprendizagem escolar e da diminuição do índice de evasão na escola regular. Para atingir este objetivo oferece atividades relacionadas à Educação Musical, com as quais busca sensibilizar os alunos através dos estímulos da linguagem musical.

Ao longo de sua trajetória já atingiu resultados significativos em cada uma de suas linhas de ação. Já funcionou nas dependências de duas igrejas e na quadra da Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha, tendo se transferido em 2004 para o Centro Municipal de Cidadania Rinaldo De Lamare, o que significou um grande passo para a ampliação e aprimoramento de suas ações, podendo atender também a jovens do Vidigal, Parque da Cidade e Vila Canoas. A qualidade do espaço e a infra-estrutura disponível ainda permitem a ampliação das atividades oferecidas.

A Escola de Música da Rocinha tem a chancela da UNESCO, é registrada no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e recebeu em 2007 menção honrosa do Prêmio Cultura Nota 10, concedido pelo Instituto Cultural Cidade Viva e pela Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro. É um dos projetos fundadores da Rede Social da Música, associação para a troca de informações e boas práticas entre instituições que utilizam a música como ferramenta de inclusão e transformação social.

POR QUE MÚSICA NA ROCINHA?
No Brasil são inúmeras as comunidades que enfrentam problemas na educação de suas crianças e jovens, pela carência econômica que gera a dependência da rede pública de ensino, que, por sua vez, nem sempre atende de forma adequada – em número de vagas, qualidade do ensino, proximidade entre a escola e a residência do aluno, etc. Além destes aspectos, os indivíduos dessas comunidades geralmente sofrem situações de violência, desamparo social, desrespeito aos direitos humanos e desestrutura familiar, cenário que também se reflete negativamente no cotidiano escolar – geram desestímulo, falta de auto-estima, dificuldades de concentração e aprendizagem e, conseqüentemente, a evasão escolar.

A Rocinha é uma comunidade localizada na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, entre os bairros de São Conrado e Gávea, cuja população, que pode chegar a 150mil habitantes (segundo lideranças locais), enfrenta todos estes problemas. Segundo os micro-dados que o IBGE apresenta no Censo do ano de 2000, 22% da população da Rocinha está abaixo da linha da miséria. A Rocinha está num cenário de profundo contraste social: apresenta um dos menores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do município (0,732), sendo vizinha da Gávea, bairro que possui o maior IDH do município (0,970), também segundo fontes do Censo IBGE 2000.

Nesse contexto, crianças e jovens encontram diversos obstáculos para seu desenvolvimento e atendimento aos seus direitos. Além da insuficiência de escolas na comunidade, outros fatores interferem no rendimento e na evasão escolar: tráfico de drogas, prostituição, gravidez na adolescência, desestrutura familiar, entre outros. A escolaridade apresenta um quadro grave: apenas 4 escolas públicas funcionam na localidade, atendendo a menos de 20% da população em idade escolar. Desta forma, mais de 80% das crianças e jovens necessitam deslocar-se para escolas de outros bairros.

Considerando este cenário e tendo em vista o papel de destaque que a cultura ocupa hoje em dia nas ações sociais, a Escola de Música da Rocinha busca aliar cultura e educação com vistas à melhoria das condições de vida dos moradores desta comunidade. Entendendo o papel fundamental da formação educacional no desenvolvimento de crianças e jovens e a cultura como fator de estímulo ao desenvolvimento e melhorias na capacidade cognitiva, percepção, habilidade motora, concentração, auto-estima, autoconfiança, comunicação e noções de responsabilidade norteadas pelo trabalho em equipe, o projeto aposta nesta soma de esforços como um excelente caminho na superação de adversidades.

O entendimento acerca do poder de inclusão e transformação social da cultura e de sua importância como fator de desenvolvimento vem sendo cada vez mais ampliado. Pelo ambiente de estímulo e envolvimento característicos das atividades culturais, o aluno desenvolve o prazer em aprender, o que se reflete positivamente no ensino regular.

Num aspecto mais amplo, as práticas culturais já são um fator de estímulo ao capital social. As manifestações culturais decorrem do fenômeno associativo humano: a capacidade do homem em se relacionar e sua busca por formas de convivência e reconhecimento, associando conhecimentos, práticas e valores. A vida comunitária tem a cultura como um dos seus principais pilares, laços de união entre indivíduos de todas as idades são construídos através de atividades culturais. A cultura é veículo por excelência da interação e integração social, podendo mostrar-se como ferramenta para a conscientização do indivíduo em relação aos seus direitos, à sua posição na comunidade e na sociedade, recobrando auto-estima e fazendo com que este reconheça suas potencialidades.

A cultura estimula o capital humano. Ações de democratização do acesso à cultura, tradicionalmente restrita às elites, são também ferramenta de inclusão social, na medida em que leva para as comunidades práticas e bens culturais às quais estas não teriam acesso de outra forma.

Por isso a Escola de Música acredita no poder da arte e da cultura como ferramentas de transformação social.

 

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