| BanDaCapo na UFRRJ |
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| Por Gilberto Figueiredo | |
| 14 de fevereiro de 2007 | |
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Universitários e Cultura - BanDaCapo toca na UFRRJ
![]() Carlson Barros, Pedro Evan, Michele Castro, Gustavo Villas-Boas e Leo Mendonça
No último dia 2 de fevereiro a BanDaCapo fez um show na Universidade Federal Rural – UFRRJ, que fica no município de Seropédica , a 80 Km do Centro do Rio de Janeiro. O show estava inserido na programação da Semana de Arte e Cultura da Rural promovida pelo Diretório Central dos Estudantes – DCE, que durante quatro dias mexeu com a rotina dos estudantes da universidade e dos moradores de Seropédica com uma oferta generosa de atividades culturais, especialmente voltadas para o mundo do circo, mas também trazendo ao público um pouco da pluralidade da cultura popular brasileira. Grupos de maracatu, capoeira, jongo, folia de reis, teatro, exposição de artesanato e artes plásticas, dentre outras modalidades de arte, fizeram parte da extensa e variada programação que contou ainda com oficinas diversas para o público infantil e adulto. O ambiente não podia ser mais agradável: três tendas de circo montadas ao lado do prédio principal da universidade abrigavam as atividades, dando um toque de simplicidade e aconchego típicos da realidade das manifestações da cultura popular do nosso país. O prédio, assim como a maioria das outras construções do campus, nos remete ao século XIX, se destacando na paisagem bucólica vista pela janela do carro de quem passa pela antiga Rodovia Rio-São Paulo. Sede de fazenda pousada num tapete verde de mata e pasto. O show da BanDaCapo foi na primeira noite do evento, segunda-feira, às 23 horas. No leque de variedades da programação o grupo representava a MPB apresentando um repertório focado na obra de João Bosco e pontilhado por músicas de Tom Jobim, Baden Powell, João Donato, Ary Barroso e outros, e durante 1 hora e meia atraiu o bom público presente de forma surpreendentemente contagiante. Foi muito bom ver um público tão jovem, formado principalmente por universitários com idade entre 20 e 25 anos, cantando junto com a banda a maioria das músicas do repertório. Nem tudo está perdido.... nem tudo é funk, axé e pagode. Para não dar margem a interpretações equivocadas vamos esclarecer o seguinte: não quero menosprezar o pessoal do funk, do axé e do pagode, mas quero sim, e com veemência, questionar e denunciar os veículos de comunicação de massa que privilegiam em sua programação um reduzidíssimo número de “artistas” cujas obras são produzidas a partir de uma inspiração muito mais comercial do que artística, conseqüência natural do investimento das gravadoras na divulgação de seu cast. A palavra investimento neste caso pode ser substituída por “pagamento de propina” ou, como se diz popularmente “JABA”, prática ilegal em voga no Brasil há muitos anos, responsável pela deturpação total da experiência musical da população que passou a ter acesso restrito a um parco universo musical definido pelo interesse econômico, que deixa de fora uma infinidade de artistas, produtores da verdadeira cultura e responsáveis pelo que há de melhor na produção musical brasileira de hoje. Enquanto donos de gravadoras e seus “artistas”, assim como os donos das rádios (...mas rádio não é uma concessão pública? Pode ter dono?) enriquecem, a população, sem perceber, vai passando por um processo de desinformação e de “desmusicalização”. Que vergonha !!! Por conta disso dá um grande prazer ouvir um coro de jovens cantando “O Bêbado e a Equilibrista” (João Bosco e Aldir Blanc), “Água de Beber” (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e outras pérolas da MPB. Jovens que conseguem driblar os mecanismos perversos de veiculação de música no Brasil e ter acesso à diversidade musical, provavelmente por influência da família e da experiência escolar que teve até chegar à universidade. Mas e os outros? E os que limitam sua experiência musical ao conluio entre gravadoras e emissoras de rádio? Quem deve assumir o papel de reverter este quadro? Quem deve combater essa dinâmica podre e ilegal e criar um ambiente favorável a uma rica e democrática experiência cultural? O pessoal do DCE da Universidade Rural está fazendo a sua parte. Com muita consciência e muita garra, enfrentando todo tipo de adversidade, organizaram um evento pautado no desejo puro e simples de promover o encontro do povo com a Arte. Conseguiram reunir no mesmo evento diversas manifestações populares e diversos artistas que estão trabalhando pela valorização e difusão da rica cultura brasileira, cultura que acima de tudo é vasta e diversa, e que vai muito além do que aparece na vitrine da mídia. A Escola de Música da Rocinha e a BanDaCapo se orgulham muito de terem participado deste evento. Voltamos de lá renovados e com um sentimento muito gostoso de otimismo por ver que nem tudo está perdido. Há jovens se empenhando em cumprir um papel de grande importância para a nossa cultura, há generosidade no ambiente universitário, e por isso há esperança para o futuro. Parabéns Luciane Ballok, Alison Rodrigues, Rodrigo e todos os outros que participaram da organização desse evento. Contem sempre com a gente. Gilberto Figueiredo |
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| Última Atualização ( 18 de fevereiro de 2007 ) |
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