| Antes e depois do CCRDL |
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| Por Maestro 1 | |
| 08 de abril de 2007 | |
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A história da EMR conta com vários momentos marcantes, positivos ou não, que com certeza, vão ficar na nossa memória para sempre, seja pela sua importância ou pela peculiaridade. Momentos vividos com intensidade como a gravação do nosso primeiro CD “PAZ – Coro Infantil da Escola de Música da Rocinha”, gravado pela Sony Music em 2001; a viagem da BanDaCapo (que se chamava Seis Que Sabem na época) em 2003 para a Alemanha em turnê por 17 cidades para a realização de 25 shows; a comemoração dos 10 anos de funcionamento da EMR em 2004 numa festa que reuniu quase 800 pessoas na quadra da Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha, com a presença em peso de familiares de alunos, lideranças comunitárias e amigos de dentro e fora da Rocinha; e vários outros fatos que não vou citar aqui, mas que podem ser vistos neste site na página Passo a Passo.
Um dos aspectos que sempre nos povoou de dúvidas e aflição foi exatamente o que nos proporcionou um desses momentos mais marcantes e importantes, que vamos carregar pro futuro como sendo uma das maiores conquistas, responsável por uma das maiores transformações ocorridas no nosso trabalho: falo da mudança da sede da escola em junho de 2004, um mês após nossa festa de 10 anos, para o prédio do Centro de Cidadania Rinaldo De Lamare, o CCRDL.
Em primeiro plano o prédio do Centro de Cidadania
A fachada do prédio que fica ao lado da quadra da G.R.E.S. Acadêmicos da Rocinha
Essa história começou em 2000 quando circulou nos jornais a informação de que a Prefeitura havia comprado o prédio do falido Hotel São Conrado Palace, e que o transformaria num centro de formação profissional com cursos voltados especialmente para a população de baixa renda, com foco na população da Rocinha. Chegou a ser anunciada uma parceria entre a Prefeitura e a Universidade Estácio de Sá para criação de um projeto chamado Universidade do Trabalho, mas demorou bastante para que a população soubesse exatamente o que ia acontecer ali. Logo que soubemos da notícia encaminhamos à Prefeitura uma solicitação de espaço para funcionamento das atividades da escola, que nessa época funcionava na quadra da GRES Acadêmicos da Rocinha.
A trajetória
Voltando um pouco no tempo para situar melhor esse fato é importante lembrar que a EMR nunca teve uma sede própria e sempre contou com o apoio de outras instituições locais para que pudesse manter seu funcionamento. De início, em 1994, contou com a Igreja Metodista que cedeu uma sala que era utilizada por nós e por alguns outros projetos. Quando a igreja precisou ampliar sua escola de ensino fundamental e solicitou nossa saída em 1997, fomos acolhidos por um grupo evangélico “autônomo” que nos cedeu em seu salão, alguns horários que não eram utilizados para cultos e outras atividades. Esse salão ficava no quarto andar de um prédio residencial na parte baixa da Rocinha, e, como o grande movimento de crianças e jovens incomodava os moradores menos tolerantes, no final de 1998 solicitaram nossa saída do local. Iniciamos o ano de 1999 na nova sede na quadra da Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha, onde pela primeira vez tivemos duas salas, e o melhor, para nosso uso exclusivo, o que permitiu um aproveitamento muito mais eficiente dos nossos horários e uma ampliação considerável do número de atendimentos . ..................................................................................................................................................
Retomando nossa história: em 2001, quando apresentamos o projeto solicitando espaço no prédio do antigo hotel não sabíamos exatamente o que poderia acontecer, mas tínhamos que cumprir nosso papel de buscar sempre melhorar nossa condição de atendimento aos jovens, mesmo que precisássemos ir atrás de um parceiro que, até então, parecia tão distante. Contamos com o apoio da Região Administrativa da Rocinha, na época conduzida por Valquíria Dias, que fez esse encaminhamento, e com o Rotary Clube, que na época iniciava importante parceria com a EMR e ajudou a consolidar uma boa imagem do nosso projeto junto à Secretaria Municipal de Trabalho, então responsável pela elaboração do projeto que ali seria implementado.
Com o passar do tempo, notícias difusas circulavam de boca em boca e nos jornais. Não recebíamos resposta e mantínhamos nossa rotina de trabalho na escola sem contar com a possibilidade de sucesso na empreitada. Era o que podíamos fazer: aguardar e torcer, mas sem criar expectativas. Até que em meados de 2001 fomos chamados para uma reunião na RIO URBE, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Obras.
O primeiro susto
Fomos apresentados à engenheira Kátia Pierre, responsável pela reforma no prédio do antigo Hotel São Conrado Palace, que, para nossa surpresa, disse que precisava ouvir nossa opinião sobre as modificações necessárias no 17º andar para o funcionamento da Escola de Música da Rocinha. Tentando manter a naturalidade de quem estava apenas aguardando essa confirmação sentamos à mesa diante de uma planta baixa do referido andar para aos poucos ir digerindo suavemente e com prazer a saborosa notícia, e também aos poucos ir trocando idéias sobre posicionamento de paredes, localização de banheiros, finalidade de utilização das salas, posicionamento de tomadas, possibilidade de colocação de isolamento acústico nas salas, enfim, dando forma ao que viria a ser a nova sede da EMR. Foi a confirmação de que nossa solicitação tinha sido aceita, e foi o início de um período de grande ansiedade. Pouco tempo depois um outro chamado nos levou à Secretaria de Trabalho para discutir detalhes sobre o mobiliário a ser adquirido: cadeiras de vários tipos para várias finalidades, mesas, armários, etc. Era quase inacreditável o que estava acontecendo.
O tempo passou e a alegria foi dando lugar à apreensão. Depois de alguns contatos telefônicos com a engenheira que vez por outra ligava para esclarecer detalhes específicos da área da Música, assunto que ela, naturalmente, não dominava, vivemos um longo período de angustiante silêncio. Mesmo depois de iniciada a obra de reforma do prédio, mesmo depois de quase concluída a obra de reforma do prédio, ninguém fazia contato com a gente. Enquanto isso, durante todo esse tempo (foram 3 anos desde o primeiro contato até a mudança) continuávamos ocupando as duas salas cedidas pela Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha.
O segundo susto
Em dezembro de 2003, depois de já ter feito duas visitas à obra e constatado que todos os detalhes planejados com a engenheira de fato foram respeitados e estavam sendo postos em prática, resolvemos tomar a iniciativa de procurar a Prefeitura para saber das providências que precisaríamos tomar para proceder com a mudança. A obra estava muito avançada e dizia-se que em março o prédio seria inaugurado.
Primeiro fomos à Secretaria de Trabalho, primeira responsável pelo projeto e àquela que nos recebeu no início do processo por ocasião do encaminhamento de nossa solicitação. Lá soubemos que a proposta original fora totalmente reformulada e que a ocupação do prédio seria definida por um projeto elaborado por cinco secretarias de governo: Trabalho, Assistência Social, Educação, Saúde e Secretaria Especial da Terceira Idade; e que a informação que precisávamos poderia ser obtida na Secretaria de Planejamento. Nesta secretaria soubemos que a mudança deveria acontecer em breve sim, mas que informações mais precisas nós conseguiríamos na Secretaria das Culturas que havia sido incluída no projeto por conta do funcionamento da Escola de Música da Rocinha. Lá então, finalmente, conseguimos informações sobre a situação da transferência da nossa sede. Foi um grande susto.
Recebidos por um assessor do secretário, fomos informados de que, de fato, a Secretaria das Culturas estava elaborando um projeto para criação da Escola de Música da Rocinha, que funcionaria no 17º andar do prédio que estava sendo reformado em São Conrado. Naquele momento faziam levantamento de preços de instrumentos e equipamentos, e discutiam a formação de uma equipe pedagógica. Mas, como assim?? A EMR foi criada em 1994, estava pronta e precisava apenas ser transferida para a nova sede. O grupo que trabalhava no projeto já estava formado há anos. O quê que está acontecendo ??.
O susto realmente foi muito grande, mas quando contamos a nossa versão da história, com todos os detalhes, inclusive sobre o planejamento do espaço que fora discutido com a engenheira responsável pela obra, o susto dele foi maior ainda. Vimo-nos numa situação inusitada que precisava ser discutida com muita calma para que tudo terminasse bem. Segundo ele, quando receberam a informação de que no 17ª andar do prédio funcionaria uma escola de música, e junto com a informação receberam uma planta baixa com todos os detalhes dessa escola, constando no rodapé o nome Escola de Música da Rocinha, concluíram que estavam recebendo a incumbência de criarem essa escola, sem nunca imaginarem que se tratava apenas da seção do espaço, assunto já definido desde 2001. A incumbência que estavam recebendo de fato era a de assumirem a responsabilidade pela interlocução com a EMR visto que, por ser um espaço pertencente à Prefeitura, fazia-se necessário estar sob a responsabilidade de uma Secretaria, e, no caso, pelas características do projeto, o mais pertinente é que estivesse vinculado aCulturas.
Refeitos do susto inicial, passamos a fazer reuniões onde buscávamos uma solução que garantisse a transferência da nossa sede para lá, visto que se tratava de uma conquista importante para um projeto que há dez anos atuava na comunidade em condições de infra-estrutura bastante precárias, e que mesmo assim conseguiu longevidade e bons resultados, com amplo reconhecimento por pare da sociedade. E, temos que ressaltar que nessa negociação contamos com o bom senso e a compreensão dos representantes da Secretaria das Culturas.
Daí em diante, os representantes da Secretaria passaram a se interar dos detalhes de nosso percurso fazendo visitas a nossa sede e nos ouvindo com atenção nas reuniões que aconteceram no primeiro semestre de 2004. A maneira como conduziram esse início de relacionamento deixava claro o interesse em resolver a questão. Os resultados foram positivos. No dia 28 de junho de 2004 nos mudamos pra lá, carregando, pouco a pouco, com a ajuda de vários alunos da escola, todo o nosso material.
A mudança
Com a mudança para o prédio do Centro de Cidadania Rinaldo De Lamare ocorreu uma transformação radical na nossa rotina. Saímos de um espaço de 40m², divididos em duas salas de 20m², para um espaço de aproximadamente 300m² divididos em 6 salas de tamanhos variados; banheiros masculino, feminino e especial; copa e almoxarifado. E tudo isso com mobiliário, ar condicionado e isolamento acústico.
Sala adequada para aulas de Piano e Teclado
Pela primeira vez pudemos ter uma sala destinada à secretaria e coordenação, e pudemos também definir o uso das outras salas a partir das áreas de estudo da Música: cordas; sopro; teclado; canto coral e prática de conjunto; e biblioteca multimídia. Com a possibilidade de realizarmos várias atividades simultâneas tivemos mais flexibilidade para a organização de nossa grade de horários, o que permitiu que, aos poucos, fôssemos ampliando nosso atendimento.
Nos primeiros seis meses de ocupação do espaço (segundo semestre de 2004), promovemos uma pequena ampliação no número de atendimentos, aumentando o número de alunos por turma em algumas áreas, mas sem aumentar o número de turmas, visto que não tínhamos recursos financeiros para mais horas / aula. Só a partir de 2005 começamos, gradativamente, a ampliar o número de turmas, especialmente no segundo semestre quando contamos com o patrocínio da TIM \ TELECOM-ITÁLIA e pudemos inclusive abrir novos cursos até então nunca oferecidos.
De início ocorreram duas grandes mudanças em nossa rotina: a primeira relacionada à atividade administrativa do projeto que pela primeira vez pôde ser tratada com um avançado grau de organização, tanto pelo fato de termos uma sala adequada para reuniões e serviços de secretaria, quanto pelo fato de termos um computador disponível para este setor. Até então tínhamos extrema dificuldade para organizar estes serviços por falta de infra-estrutura; a segunda grande mudança está relacionada à sala 1704, que é utilizada como biblioteca multimídia. Ela é equipada com 3 computadores, TV, videocassete, DVD e aparelho de som, e nela mantemos um acervo de CDs, livros de música e livros infanto-juvenis que ficam disponíveis para uso de professores, monitores e alunos. Esta sala nos permitiu a realização de diversas atividades extra-classe e a criação de um ambiente de estudo e pesquisa que contribuiu muito para o desenvolvimento dos alunos, especialmente os de nível médio e avançado que já tinham uma pré-disposição para o aprofundamento dos estudos na área da Música.
Hoje, com uma rotina já estabelecida, temos uma escola com qualidade infinitamente superior a que tínhamos antes da mudança para o CCRDL, e além de todas as vantagens possibilitadas pela excelente infra-estrutura do espaço físico, ainda existem outros fatores que contribuem para os resultados que alcançamos.
Um deles está relacionado ao fato de estarmos num local onde funcionam várias outras modalidades de atendimento às famílias, o que permite que façamos encaminhamentos de casos que não se enquadram em nosso projeto, mas que podem receber o atendimento em outro serviço oferecido num outro andar do prédio. Há também a possibilidade de realizarmos atendimentos conjuntos e de formarmos parcerias que garantem uma eficácia maior no atendimento às famílias que apresentam maior grau de desestrutura, em alguns casos podendo ter pais e filhos atendidos simultaneamente. Ao longo dos anos, construímos uma rede de relacionamento com outras instituições locais que oferecem atendimento a crianças, adolescentes e famílias, e sempre tivemos a possibilidade de contar com outros serviços, mas nada se compara a quantidade e a qualidade das parcerias que hoje temos dentro do Centro de Cidadania Rinaldo De Lamare.
Outro fator de grande importância está relacionado ao fato de estarmos instalados num espaço de excelente qualidade, que permite o pleno desenvolvimento das atividades pedagógicas, e ser esse espaço resultado de uma parceria com a Prefeitura do Rio. Para qualquer instituição ou pessoa física que deseja conhecer a EMR isso transmite credibilidade e agrega valor ao projeto, facilitando a conquista de novos parceiros. Desde que mudamos para o CCRDL ampliamos significativamente nossas parcerias, o que permitiu a construção de uma imagem muito positiva do projeto junto à sociedade.
Enfim, ao longo de 13 anos de existência da EMR essa foi sem dúvida a maior transformação ocorrida no projeto, trazendo uma série de benefícios importantes e possibilitando um aumento significativo na qualidade do nosso trabalho.
Gilberto Figueiredo |
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| Última Atualização ( 11 de abril de 2007 ) |
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